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Designer e estilista da nova
linha de bonecas Susi. Cursando pós-graduação
em Tarô jungiano, com ênfase na
psique das Barbies. Grã-Xamã,
transcendeu e organiza expedições
em volta das fogueiras das selvas mundiais
em busca da mais pura essência do Sweet
Poison. |
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Astronauta
master e Cientista-chefe das pesquisas de
ponta em pigmentos rubros para tintura. Crooner
itinerante, presta consultoria nas boites
de transatlânticos, transcendeu e empresaria
filantropicamente aspirantes ao Neo-Donjuanismo. |
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Reikiana
de esquerda, chef de cuisine, PhD em preparo
de molhos exóticos para miojo. Sócia-fundadora
e ativa militante do Blondpeace. Líder
empresarial nata e sênior, transcendeu
e reordena desde barracos de madeira aos de
mármore carrara. |
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Psicóloga,
astróloga, mestre yogue. Refez o caminho
das Índias, transcendeu e se tornou
autora premiada do best-seller "Aproximação
dos corpos nem tão celestes".
Com agenda lotada para este milênio,
viaja por todos os planos astrais, palestrando
para platéias masculinas acerca e abaixo
do tema ou de qualquer outro tópico
relevante para a elevação da
humanidade. |
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Mezzo
soprano, mezzo contralto, guru das locutoras,
organiza shows, saraus, casamentos, batizados,
passeatas, abaixo-assinados, intervenções,
instalações, telegrama-animado,
bar mitzvah, chá-bar, piquetes e greves
gerais. Transcendeu, abalou Bangu, fundou
o Piscinão de Ramos e inicia o projeto
de revitalização da vida cultural
da Ilha de Paquetá. No prelo, o já
best-seller "O código de Paquetá".
Em fase de finalização, o dvd
"De Paquetá para o mundo".
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Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
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So Long Farewell
Ah... é pra cantar? Então tá, vamos lá!
Em algum lugar da Austria, mas precisamente, Salzburg...
 Valentina is singing
There's a sad sort of clanging from the clock in the hall And the bells in the steeple too And up in the nursery an absurd little bird Is poping out to say cuckoo
Rubya sings so sweet
Cuckoo, cuckoo Regretfully they tell us But firmly they compel us To say goodbye To you... So long, farewell, auf Wiedersehen, good night
Now, Amelie
I hate to go and leave this pretty sight So long, farewell, auf Wiedersehen, adieu
Sorella untied the voice
Adieu, adieu, to yieu and yieu and yieu So long, farewell, au revoir, auf wiedersehen
Callas with emotion
Liesl I'd like to stay and taste my first champagne Yes?
Valentina No! So long, farewell, auf Wiedersehen, good bye
Sorella I leave and heave a sigh and say good bye Goodbye...
Amelie I'm glad to go, I cannot tell a lie
Rubya I flit, I float, I fleetly flee, I fly
Callas The sun has gone to bed and so must I So long, farewell, auf Wiedersehen, good bye

Good bye, good bye, good bye... 
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Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
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Começo, meio e fim
Em nome das Hormoniosas, estou aqui para agradecer a companhia e participação de todos durante o tempo de nossa curta, mas deliciosa experiência. Lembro-me, como se fosse ontem, da euforia que vivemos para fazer o Hormoniosas: a escolha do nome, layout, template, epígrafe... seríamos nós mesmas ou criaríamos personagens com novas identidades? Publicaríamos nossas fotos?
Segredinho: nunca nos mostramos porque somos muito humildes e altruístas. Odiaríamos ver a ex-Gisele di Carprio e a Ana Hickman definhando ou tentando o suicídio.
Vocês não sabem o trabalhão que foi para selecionar fotos, textos, nomes. Afinal, estamos em regiões geograficamente distintas: Rio, São Paulo, Paraná e Distrito Federal.
Decidido que seríamos ficção, fomos atrás do Adão, o Iturusgarai, para fazer a charge dos nossos desenhos... foi um longo namoro, até ele bater o martelo e dizer sim. Contudo, nos informou que todas teríamos a cara da Aline, o que mudaria seria a cor dos cabelos. Aí pensamos melhor e declinamos do acordo (cá entre nós, economizamos uns bons cobres... hahaha). Obrigada, Adão, pela paciência :)
Aí surgiu, pelas mãos da Rubya, a doce e linda Carmela. Ela foi a responsável pelo nosso template e de quebra, ainda me ajudou lá no Glossolalias. Obrigada, docinho!
De todas, eu sempre fui a mais resistente à idéia de ter um blogue e, por ironia do destino, hoje estou participando de quatro, três deles mais efetivamente! Coisa de doido, minha gente!
Bem, como vocês bem notaram, estes posts anteriores foram uma preparação para a despedida. Nos reunimos e decidimos pacificamente que o Hormoniosas já havia cumprido a sua missão: passamos do papo mulherzinha até onde foi possível chegarmos.
Sinto o fim do nosso blogue, eu disse isso para as manas, como a conclusão de uma graduação. Hoje vivemos o dia do grande baile, vestidos bonitos, orgulho, tudo lindo, mas também uma saudadezinha de saber que nossos caminhos vão tomar rumos próprios, diferentes um dos outros. Há um pouco de medo nisso, mas há muito de desafiante.
Mas como uma boa turma de faculdade, nos reuniremos anualmente para o baile da saudade, não é garotas? ;o)
Essas meninas são ouro, gente! Sabem aquelas pessoas especiais que a vida nos reserva? Pura delicadeza do destino! Bem, é isso aí. Nada de tristezas. Estamos felizes pelos bons amigos que fizemos por aqui. Nem vou citar porque sei que vou fazer feio ao esquecer algum nome e eu não quero ser injusta.
Antes de fecharmos o cafofo, vou informar nossos paradeiros, caso vocês queiram manter o contato:
Amélie está indo para o alto Xingu estudar as comunidades indígenas e seus hábitos, mas como não é boba nem nada, vai levar seu poderoso Sweet Poison para encantar.
Callas finalmente teve seu Código de Paquetá publicado e agora está ensandecida com a quantidade de convites das celebridades para que ela os agencie. Inclusive Mick Jagger, vulgo maracujá velho de gaveta, e o Bono Vox ficarão uma semana na ilha sob os cuidados militares de nossa musa.
Rubya candidatou-se para ir ao espaço fazer pesquisas sobre o mais novo planeta descoberto em nosso sistema solar. Claro que nada é de graça, nem o pão nem a cachaça, já disse Zeca, o baleiro, então seu pagamento virá em forma de patrocínio para pesquisas envolvendo os novos tons ruivos da sua linha cosmética.
Bionda ruma para Paris, onde ficará alguns anos ensinando aos melhores chefs, o preparo dos molhos exóticos para miojo. Seus trunfos são o sabor lagosta marinada e faisão dourado da Mongólia.
Eu, essa figura absoluta que vos escreve, estacionarei no nirvana por tempo indeterminado. Vocês não sabem a trabalheira que é ficar viajando por tantos planos astrais, a fim de edificar a alma humana e equilibrar os chacras do mundo. Uia!
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Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
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MORRER PARA RENASCER
Drão (Caetano Veloso - Gilberto Gil) Drão o amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão Tem que morrer pra germinar Plantar n’algum lugar Ressuscitar no chão nossa semeadura Quem poderá fazer, aquele amor morrer Nossa caminha dura Dura caminhada, pela estrada escura Drão não pense na separação Não despedace o coração O verdadeiro amor é vão Estende-se, infinito, imenso monolito Nossa arquitetura Quem poderá fazer, aquele amor morrer Nossa caminha dura, cama de tatame Pela vida afora Drão os meninos são todos sãos Os pecados são todos meus Deus sabe a minha confissão Não há o que perdoar Por isso mesmo é que há De haver mais compaixão Quem poderá fazer aquele amor morrer Se o amor é como um grão Morre nasce trigo Vive morre pão Drão, Drão Até mais minhas queridas! Gracias y sorte!
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Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
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Vidas em movimento, Jorge Casais
Queridos, algo se anuncia sob o céu hormonioso... Há tantas rotas para trilhar, há tanto céu, tanto mar. Do amanhã nada sei, nem quero saber. O que importa, no fim, é o amor que une nossas vidas, que tece novas manhãs e novas estações.
Encontros e Despedidas (M. Nascimento E F. Brant)
Mande notícias do mundo de lá Diz quem fica Me dê um abraço Venha me apertar Tô chegando Coisa que gosto é poder partir Sem ter planos Melhor ainda é poder voltar Quando quero Todos os dias é um vai-e-vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai e quer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir São só dois lados Da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem da partida A hora do encontro É também despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida
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Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006
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O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas.
Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido ver. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente.
Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil.
Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil).
Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
“Das vantagens de ser bobo” in A descoberta do mundo. Clarice Lispector.
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Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006
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A Delicadeza de Vinícius...
“No tempo dos olhares pétreos, ser um delicado sentimental é belamente triste” (Rubens da Cunha)
O HaverVinicius de Moraes Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura Essa intimidade perfeita com o silêncio Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo Essa mão que tateia antes de ter, esse medo De ferir tocando, essa forte mão de homem Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos Essa inércia cada vez maior diante do Infinito Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade Do tempo, essa lenta decomposição poética Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio Numa catedral em ruínas, essa tristeza Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado De pequenos absurdos, essa capacidade De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade De aceitá-la tal como é, e essa visão Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior De mundos inexistentes, e esse heroísmo Estático, e essa pequenina luz indecifrável A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade Pelo momento a vir, quando, apressada Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto Esse eterno levantar-se depois de cada queda Essa busca de equilíbrio no fio da navalha Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo Infantil de ter pequenas coragens.
15/04/1962
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Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
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Plágio
Li no blogue do Carlos e não resisti em reproduzir.
 A floral still life with sculpture, Alfred Bastien
A revolução da delicadeza (Rubens da Cunha)
O poeta Dennis Radünz afirma que a delicadeza é a última das atitudes revolucionárias que cabem neste mundo. Estamos no tempo da indiferença, no tempo em que a banalidade veste a violência, o sexo, a religião, a política, as artes. Elementos fomentadores de grandes revoluções no passado, mas agora não passam de capricho nas mãos de uns poucos, ou idiotice nas mãos de muitos. O que resta para um revolucionário de verdade é provocar algum medo, susto, mudança ou nojo, sendo um delicado. É uma atividade ingrata, feita apenas por sujeitos que serão sempre acusados de não terem razão aparente, de serem desconectados da vida real. A falta de espaço para este tipo de gente é gritante. Experimente não crescer algumas horas por dia. Jogue sobre seu sorriso um pouco de infância: doce de chocolate, bolas de gude, pandorga; retire de seu peito a responsabilidade e brinque de boneca, carrinho, casinha, pique-esconde. Primeiro te chamarão de irresponsável, depois de vadio, por fim de louco. Isso tudo porque você deteve-se na infância durante três horas numa segunda-feira. Faça isso mais vezes por mais tempo em dias úteis. É praticamente uma tarefa impossível. É bem mais fácil matar alguém toda manhã do que descrescer. Outros delicados que sofrem muito são os observadores. Não podem ver dálias, lírios, pedras cobertas de musgo, insetos azuis, folhas secas ainda nas árvores, pássaros dormindo, nuvens, relâmpagos, abstrações dentro do arco-íris, postes, búfalos na beira do asfalto, jardins, abelhas, malabaristas no sinal que param tudo que estão fazendo e olham, olham, até atrapalhar a pressa de alguém que normalmente os chama de inúteis. São empurrados e achincalhados, mas não desistem. Há ainda os delicados que fazem coisas estranhas: assoviam, jogam pedras nos rios, caminham de trás pra frente, plantam bananeiras, descascam a laranja sem romper a casca, riem felizes porque conseguiram se superar, choram porque alguém os mandou jogar no lixo e lavar as mãos pois não suportam o cheiro. Os delicados fazedores também visitam cemitérios na busca de epitáfios e anjos, escrevem declarações e fazem castelos de areia na praia. São muito hábeis com barquinhos de papel em dias de chuva. Por fim, os delicados sentimentais. Tudo lhes ataca diretamente ao coração. Os sentimentos são poços em que estes delicados caem e ficam, ficam, pedem socorro vez em quando, bebem alguma esperança vinda do céu, e agüentam o quanto podem. No tempo dos olhares pétreos, ser um delicado sentimental é belamente triste. Muitos dos delicados se alojam nos poemas, na música, na dança, outros não agüentam o peso e suicidam-se: não falo da morte física, falo do suicídio de alma, falo dos delicados que se encapuzaram na insensibilidade. Uma pena! Tantos sucumbirem e desistirem da revolução pela delicadeza. Parece que nunca ouviram o nosso irmão maior, Arthur Rimbaud, dizer, "por delicadeza, perdi minha vida". Eis a grande honra e alegria dos delicados revolucionários.
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