7.12.04

Eu não sei quanto a vocês, mas eu não gosto nada dessas festinhas de confraternização fim-de-ano. Sempre dá bode.
É só o mês de dezembro chegar para a turma começar a se entreolhar alvoroçada, cúmplice, ávida pelo amigo oculto.
Puxa vida, trabalho o ano todo com o pessoal e ainda tenho que estender isso para o meu lazer?
Me prometi, desta vez, não sucumbir aos apelos dos colegas. Não vou a nenhum restaurante trocar presentes.
Vocês já viram esse filme? Porque eu já!

Todos chegam muito educados, falando baixo.
Depois vem a comilança regada a muuuito álcool. Lá pelas tantas, as gargalhadas são ouvidas até na cozinha.
O próximo passo é falar mal dos vizinhos, aqueles falsos da outra seção.
Já relaxados, sempre aparece alguém mais afoito, querendo estreitar laços, compreendem? As mãos não param.
Finalmente, a hora fatal: o amigo oculto.
Invariavelmente, eu ganho o presente mais mierda que une mau gosto e avareza. E ainda tenho que sorrir amarelo, fingindo satisfação.
Saio puta da vida, dizendo a mim mesma: se tiver algum bom senso, não apareço no ano que vem.

Como bom senso não me falta, queridos, no dia da malfadada festa, estarei celebrando o último encontro de 2004 do Clube da Luluzinha.

6.12.04

Quando Darwin escreveu a “Origem das Espécies”, ele tratou o conceito de evolução sob muitos aspectos: progresso, melhoramento, adaptação. Todos eles evocam qualidades positivas.

A gente sabe que o princípio da isonomia é só uma teoria. Bonita e utópica, mas uma teoria. As oportunidades não são iguais sob nenhum ponto de vista: cultural, econômico, político e social. Não tem lugar para todo mundo, nem emprego, nem comida... viver é competir.

O que Darwin tem haver com as injustiças “sociais”?
Também não sei... eu só sei que pelo menos a Natureza deveria nos proporcionar condições iguais de vida, já que inevitavelmente cairemos na selva que se encarregará de fazer sua própria seleção nada natural.

1.12.04

Não vou fazer mais uma mea culpa. Estou atribuladíssima por esses dias, sem tempo para respirar, quiçá postar diariamente.
Sinto falta do sofá italiano, da xampã gelada com sotaque francês e do papo descontraído. Por outro lado, fico completamente relaxada porque posso contar com a misericórdia e genialidade dessas três mulheres vitaminadas, minhas manas.
Então, vamos às atualizações?

1. Estou me recuperando depois do baque de perder o último encontro do C. L. Mais duas sessões de shiatsu e ficarei nova em folha;
2. Larguei de vez a releitura de Mrs. Dalloway. Santa chatice, Batman! Em compensação, estou agarrada à Hannah Arendt. Impressionante a interlocução que seu texto estabelece com um certo período da nossa experiência histórica;
3. Bom descobrir que a releitura de alguns livros continuam estimulando a reflexão e despertando olhares outros. Obrigada J.J. Veiga;
4. O Natal está chegando e a grande equação matemática lateja: meu (parco) dinheirinho é inversamente proporcional à quantidade de pessoas queridas que povoam a minha vida... ai ai;
5. Estou à caça de um bom reveillón na Corte. Tudo o que encontro será regado à música eletrônica. Uma senhora arcaica como eu não é capaz de suportar mais do que 30 min de tuntistum. A outra opção é o reveillón do Marina’s Hall que terá Rita Lee animando a festa pela bagatela de R$ 600,00 o convite individual. É uma bela opção para quem tem dinheiro entrando pelo fiofó, o que logicamente não é meu caso, até porque o dia em que eu tiver bastante dinheiro, terei lugares mais interessantes para enfiá-lo, pois não?
6. At last but not least, hoje é o Dia Internacional de Luta Contra a AIDS. Os dados do Ministério da Saúde são alarmantes e o Brasil continua destacando-se no quadro de estatísticas da OMS. Vamos combinar, este não é o tipo de feito que orgulha. Vamos ter mais respeito à vida, nossa e do outro.

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