2.2.05

O post de hoje foi roubado, descaradamente capturado. Ou será o contrário?
Sim, eu fui abduzida por ela. Ela que tem uma centelha de rapsodo na alma.
Ê D. Fal, que coisa mais danada de bonita!
Vai na íntegra porque sou mesmo uma bela cara-de-pau...rs

JANAÍNA
A Janaína, cunhada da Paula Regina, levantou às 4 da manhã para limpar o cocô do cachorrinho naquela chuva. Escorregou no quintal, lógico, abriu a cabeça. O noivo dela, o Rodolfo Henrique (irmão da Paula Regina), levantou correndo, mesmo engessado, para correr com ela para um pronto-socorro. O pai dela não achava a chave do portão, depois foi a chave do carro que sumiu, não se tinha a mais remota noção de onde estaria a carteirinha do plano de saúde, enfim, naquela chuva e naquele frio, àquela hora da madrugada, ninguém era de ninguém. Chegando ao pronto-socorro, ainda queriam prender o Rô, porque aquela história estava mal contada, esse negócio de cachorro era absurdo (convenhamos, é esquisito mesmo) e aquele sangue esguichando da cabeça da moça tinha que ser resultado de espancamento. No final não prenderam ninguém, mas o médico raspou metade da cabeça da Jana, para dar os 11 pontos, sem levar em consideração que ela havia gasto 70 reais fazendo decapagem e reflexo no cabelo, depois de pintá-lo de preto por 15 anos. Enfim, quando eles voltaram para casa, o sol já estava alto. A Jana estava cheia de hematomas e meio careca e todo mundo estava com sono, cansado, com fome e mal-humorado. Qual a conclusão da Paula Regina, vendedora da Natura, piloto de provas da Elizabeth Arden, viciada terminal em cremes milagrosos, ácidos glicólicos, tintas variadas para cabelo e rímel incolor?
- Tá vendo, Lindíssima, a gente com tanta vaidade, e nada nesse mundo vale nada. Não cai uma folha da árvore se Deus não quiser.

1.2.05

Venho acompanhando há algum tempo, o debate acerca da crise dos sistemas representativos. A coisa ficou mais feia e começamos a observar não só a fragilidade dos sistemas representativos, mas da própria idéia de representação.

Comemoramos na semana passada, o 60º aniversário de libertação de presos do Campo de Concentração de Auschwitz.

Isso me fez pensar novamente na questão da representação.

Ora, os mais renomados mitólogos são enfáticos ao afirmar que o homem é um animal simbólico e como tal necessita fazer-se representar na sociedade, criando ritos, mitos, cerimônias que atestem sua existência no mundo. Isso acontece no interior de pequenas comunidades até no espaço de excelência – as artes.

“Onde o nazismo entra nesse papo”, vocês devem estar pensando. Não, Valentina AINDA não abilolou de vez. Pra mim, tudo isso tem uma relação tão grande que quase me levou a nocaute.

Fiquei pensando assim: a representação se esgota? Ela perde sua capacidade de validar processos sócio-culturais? Em que momento ela deixa de ser também um instrumento de gozo pessoal?

Um filme sobre o holocausto é capaz de simbolizar e representar de forma satisfatória? As fotos, em exposição, que pretendem ser eterna denúncia, elas denunciam mesmo?

Não estou dizendo que isso não seja importante, não...

Então, domingo, li uma matéria (Máquinas da auto-idolatria - O filósofo Jean-Luc Nancy explica como as fotos dos campos de concentração esgotam a idéia de representação) que me confortou no sentido de não estar sozinha com as minhas dúvidas, que existe ressonância na minha insatisfação.

Quero continuar acreditando no animal mítico que somos e na construção da complexa teia de suas representações até o limite de não saber se há realidade de fato.

Quero acreditar que este ente social não banalizará seu melhor artefato antropológico: os símbolos.
PS: Se não conseguirem ler a matéria, avisem que dou um jeito de disponibilizar o conteúdo.

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